Capuccino com Mingau

Eram opostos

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“Ela enxergava a ternura e a beleza da vida

Ele a maldade e a ignorancia

Ela enxergava a lua durante a noite

Ele enxergava apenas a vasta solidão

Eram completos opostos

Não faziam sentido nenhum juntos

 

Ela era a garota exemplo

E ele o garoto os quais os pais advertiam seus filhos para se afastarem

Todos a amavam

Todos sentiam medo dele

Ela era todo sorrisos

Ele raramente sorria

 

Ela sentava na cadeira da frente

E ele na ultima carteira

A vida os uniu com um sorriso e uma troca de olhares

Olhares curiosos e instigantes

Fascinados pelo desconhecido

 

Não faziam sentido algum juntos

As pessoas os encaravam sem compreender

Ninguém entendia

Apenas eles

 

Ele descobriu que a garota sorrisos chorava toda a noite escondida

E ela descobriu que ele não enxergava a lua, mas via as estrelas

Um casal confuso

Sem sentido algum

A sociedade não aceitava, não compreendia

 

O garoto problema ria com mais frequencia

E a garota sorrisos demonstrava o que sentia com mais facilidade

Eles eram opostos

Completamente diferentes

Não faziam sentido algum

 

Ela aturava seu vicio em cigarros

E ele a sua mania por perfeição

Ela enxergava os cortes por baixo dos moletons dele

Ele via a tristeza por tras de seu sorrisos

Juntos se ajudaram

 

Os pais dela não aceitaram

Os dele nem se importaram

Ela gritou, se rebelou pela primeira vez na vida

Ele conversou com o pai

Ela o beijou,

Ele afagou seu cabelo enquanto ela chorava silenciosamente

Eram opostos

 

Ela aprendeu a ser forte

Ele já não se cortava mais tanto

Ela já não era mais a garota exemplo

Eles estavam felizes

Não faziam sentido algum

 

Ela pedia em lágrimas pra ele largar o cigarro

Ele não conseguia

Ela chorava durante a noite

Ele sentia a decepção dela

 

Ela ria honestamente com ele

Ele a falava o que pensava

Ela era ela mesma com ele

Ele não compreendia porque ela estava com ele

 

Ela estava feliz

Ele comprou um anel

Ela chorou emocionada

Casaram-se

Eram opostos

 

Ela o libertou de seus demônios

Ele a mostrou que não era ruim ser quem era

Eles riam na mesma sincronia

Não faziam sentido algum

 

Ela escutava as tosses dele apreensiva

Ele não gostava que ele escutasse

Ela insistia para ele ir no médico

Ele insistia em não

Ambos eram teimosos

Pelo menos nisso combinava

 

Ela lhe contava sobre seus planos sobre o futuro

Ele os ouvia com atenção

Eles se amavam ternamente durante a noite

Eram opostos

Como a lua e o sol

Ainda assim se amavam

 

Ela engravidou

Ele não acreditava

Ela vomitava

Ele limpava seu vomito sorrindo

Eles estavam felizes

Não faziam sentido algum

 

Discutiam sempre

Mas sempre se entediam

As tosses dele estavam mais frequentes

E a barriga dela cada vez maior

 

Ela chorou implorando que ele fosse ao medico

Ele aceitou apenas para não irritá-la

Ela ficou satisfeita

Ele não sabia como contar-lhe a triste verdade

 

Os dois choravam juntos

O bêbê sentia a dor

Estava cada dia mais próximo para que o filho nascesse

O dia tão esperado chegou

E sob os choros da criança

O sorriso deles prevaleceu

Eram opostos

 

Era um menino saudável e amado

Ela o amava e cantava sobre amor

Ele o ensinava a andar, e tocava seu violão

Ela estava preocupada

Ele lutava contra isso

O bêbê observava sem compreender

Ela chorou o beijando como em tantas noites

E ele fechou os olhos para sempre

Não faziam sentido algum

Apenas se amavam.”- Mariana Vale Gonçalves.

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